Quedas do Iguaçu: emboscada deixa dois sem-terra mortos

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Acampamento Dom Tomás Balduíno, em 2015 Foto: Joka Madruga

Acampamento Dom Tomás Balduíno, em 2015 Foto: Joka Madruga

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com Brasil de Fato

Por volta das 15h desta quinta-feira (7), uma emboscada contra o acampamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, região centro do Paraná, deixou, pelo menos, dois mortos e cerca de dois feridos. Não há policiais feridos.

Segundo o Brasil de fato, o movimento informou que seguranças e jagunços da madeireira Araupel participaram da ação, junto com a Polícia Militar.

“Em torno de 15 pessoas desceram para fazer vistoria numa área ocupada e havia pessoas do Bope [Batalhão de Operações Policiais Especiais] e da Polícia Militar. Não sabemos de fato quantas pessoas estão mortas e quantas estão baleadas porque a polícia agora não nos deixa chegar perto”, afirma o dirigente do movimento na região, que preferiu não se identificar. No momento há confirmação de mais de 20 feridos. Caso confirmada a informação, isso pode caracterizar omissão de socorro.

Um dos feridos, Henrique Gustavo Souza Pratti (27), foi transferido para o HUOP (Hospital Universitário do Oeste do Paraná) em Cascavel de helicóptero. Ele levou um tiro na perna esquerda e sofreu fratura exposta no fêmur.

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O segundo ferido deve ser encaminhado ao Hospital São Lucas.

Secretaria de Segurança

A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SESP) afirma que os policiais foram alvos de emboscada, mas confirmam a informação de que dois agricultores sem-terra foram mortos e seis ficaram feridos. Para o advogado da Terra de Direitos, Fernando Prioste, apesar dos fatos ainda precisarem ser apurados, a posição da SESP é contraditória. “É uma contradição dizer que a polícia sofreu emboscada, mas quem morreu foram os trabalhadores”, disse.

Uma nota da PM foi divulgada:

“Duas equipes da Polícia Militar do Paraná foram vítimas de uma emboscada na tarde desta quinta-feira (7) na cidade de Quedas do Iguaçu, região Oeste do Paraná, quando tentavam ajudar a combater um incêndio numa área conhecida como Fazendinha.

Assim que o fogo começou, os policiais da ROTAM (Rondas Ostensivas Tático Móvel) e uma brigada de incêndio da empresa Araupel foram até o local para combater as chamas. Mas antes de chegar até o local da queimada, os policiais foram alvo de uma emboscada.

Mais de 20 pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estavam no local e começaram a disparar contra as equipes da PM, que reagiram ao ataque. Durante o confronto, dois sem terra morreram e seis ficaram feridos. Com eles, a polícia apreendeu uma pistola 9 milímetros e uma espingarda calibre 12. O restante do grupo se embrenhou na mata.

A PM enviou equipes para o local para resgatar as vítimas — inclusive um helicóptero para remover os feridos. Além disso, foram destacados policiais militares e civis para a região com o objetivo de reforçar a segurança – uma vez que há uma briga judicial envolvendo o MST e a empresa Araupel.

A Polícia Civil já abriu um inquérito para apurar os fatos”.

Conflito agrário na região

Este cenário reflete parte do clima de tensão que nasce na luta pelo acesso à terra e contra a grilagem na região. O conflito tem relação com o surgimento de dois acampamentos do MST na região centro-sul do Paraná, construídos nas áreas em que funcionam as atividades da empresa Araupel, exportadora de pinus e eucalipto. O primeiro acampamento, Herdeiros da Terra, está localizado no município de Rio Bonito do Iguaçu. A ocupação aconteceu em 1º de maio de 2014 e hoje abriga mais de mil famílias. Ali, elas possuem aproximadamente 1,5 mil hectares para a produção de alimentos.

O segundo acampamento, Dom Tomás Balduíno, cuja ocupação teve início em junho de 2014, possui 1500 famílias e fica na região de Quedas do Iguaçu. Ao contrário da outra ocupação, esta possui 12 alqueires de área aberta, sendo apenas 9 – cerca de 30 hectares – utilizados para o plantio.

Procurado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou não poder se posicionar sobre o caso, já que trata-se de um acampamento, e não assentamento. Já a Ouvidoria Agrária Nacional informou que não tem informações sobre o caso, mas que está verificando o ocorrido.

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