Fazenda Santa Maria: Ameaça de morte a líderes do MST aumenta tensão em STI

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Os impasses agrários no oeste do Paraná voltam a criar um perigoso clima de tensão na região. Desta vez, o barril de pólvora é a Fazenda Santa Maria, em Santa Terezinha de Itaipu, que está ocupada pelo MST desde 18 de março.

Uma denúncia de ameaça de morte a líderes do MST elevou a preocupação das praticamente 6 mil pessoas acampadas. As ameaças, segundo os denunciantes, são dos administradores da Fazenda Santa Maria.

O caso foi documentado pelo CDH (Centro de Direitos Humanos) de Foz do Iguaçu e já é de conhecimento do secretário Especial para Assuntos Fundiários, Hamilton Serigheli, governador do Estado Beto Richa, da Promotoria de Defesa de Direitos Humanos do Paraná e da Procuradoria de Justiça.

O blog teve acesso a um documento endereçado à Serigheli que descreve até que haveria uma lista de nomes de integrantes do MST marcados para morrer e que estava sendo definida a contratação de capangas para executarem o atentado.

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“Nos relatos dos integrantes e lideranças acima referidas surge inclusive nomes de pessoas que estão marcadas para serem vitimadas de morte e também o nome das pessoas que se colocam como mandantes e que estão ligadas diretamente à Fazenda Santa Maria, além, inclusive, de constar informação de ter definição para busca do executor da ação assassina”, consta no documento entregue ao governo do Estado.

Dene da Silva, coordenador do MST do Paraná, confirma o ambiente de medo no acampamento.

“As ameaças se intensificaram de várias maneiras e vem diretamente dos administradores da fazenda. Soubemos que houve uma reunião na prefeitura de Santa Terezinha onde falaram nome de pessoas que deveriam ser vitimadas”.

A fazenda Santa Maria é reivindicada pelo MST pois ela pertence a pessoas denunciadas na Operação Lava Jato (mais detalhes abaixo). A propriedade tem uma área total de 1750 hectares, sendo 500 hectares de reserva legal e mata ciliar, 300 hectares de agricultura e 900 hectares de pastagem para gado de corte. A fazenda possui uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 242 hectares que faz parte do Corredor da Biodiversidade Santa Maria.

Providências

O secretário Especial para Assuntos Fundiários, Hamilton Serighelli, disse que a denúncia já foi repassada à Secretaria de Segurança Pública, ao Ministério Público e ao procurador de Justiça, Olympio Sotto Maior Neto, que também é e coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção aos Direitos Humanos.

Serighelli afirma que um inquérito já foi instaurado para apurar as denúncias.

“Já tomamos providências. Encaminhamos ao governador, que tomou conhecimento e mandou apurar. Também informamos ao Secretário de Segurança que abriu inquérito. Estamos conversando para tentar encontrar uma solução”.

A Fazenda Santa Maria é um caso delicado, devido a proximidade com o Parque Nacional do Iguaçu.

“O MP também tem nos ajudado mas é um caso complicado por causa do corredor da biodiversidade. O promotor acha difícil conciliar um assentamento com a preservação do meio ambiente, mas o MST há como fazer um projeto. Mas antes de tudo isso, temos que resolver o conflito fundiário”.

O Incra fez uma proposta de compra aos donos da fazenda, mas ainda não houve avanços.

Amanhã (3) uma reunião está marcada para ocorrer em Foz do Iguaçu, na tentativa de acalmar os ânimos e evitar tragédias como as que ocorreram mês passado em Quedas do Iguaçu. Dois sem-terra foram mortos e outros dois ficaram feridos.

MST diz que fazenda é citada na Lava Jato

A fazenda ocupada pelos Sem Terra pertence aos irmãos Licínio de Oliveira Machado Filho, presidente da Etesco, e a Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, ex-presidente da Transpetro, ambos envolvidos no desvio de dinheiro público na Petrobrás, citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Moura, durante as investigações da Operação Lava Jato, da Policia Federal.

Licínio foi delatado como o homem que indicou Renato Duque para diretor de Serviços da Petrobrás. Com a indicação a Etesco passou a ter uma participação maior nos contratos da Petrobrás e pagar propina para o lobista Fernando Moura.

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