O Pedro Muffato menos conhecido: o político

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Não conseguiu estancar o êxodo rural e o fechamento de escolas, mas legou o planejamento que deu a Cascavel a solução do problema hídrico

Alceu A. Sperança – escritor alceusperanca@ig.com.br

A carreira automobilística nacional e internacional de Pedro Muffato foi tão ampla, dramática e extensa que eclipsou sua faceta política – foi vereador, presidente da Câmara Municipal e prefeito de Cascavel – é hoje desconhecida pelas novas gerações. O Pedro Muffato político aparece nas eleições de 1968, quando foi o terceiro vereador mais votado do MDB. Projetado para a Presidência da Câmara, seria em 1972 eleito para a Prefeitura com uma votação espetacular, contrariando a tendência às eleições disputadas palmo a palmo.

Muffato nasceu em Irati (PR) em 29 de julho de 1942, filho de David Muffato e Hilária Losso Muffato. Comerciante, veio para Cascavel em 1964 e nesse mesmo ano se casou com Mayl Muffato, com quem teve três filhos: Hayl, Pedro Muffato Jr, que também foi vereador, e David Guilherme, também automobilista.

Desportista, primeiramente no futebol e depois no automobilismo, Muffato ingressou na lida política pelas mãos de Geraldino Cristófoli, Laertes Caron, Danilo Scanagatta, Jorge Silvestre e outros desportistas que pretendiam eleger um representante na Câmara para defender as causas esportivas.

Assim, Muffato ingressou no MDB e concorreu à Câmara nas eleições de 1968, sendo eleito com 591 votos. Assumiu a Presidência da Casa e credenciou-se como o mais forte candidato do MDB para pôr um fim à alternância no poder dos arenistas Octacílio Mion e Odilon Reinhardt.

Elegeu-se com uma extraordinária votação, no embalo das sucessivas vitórias da oposição à ditadura militar, mas logo ingressou na Arena, depois de negociar com o governador Jayme Canet Jr: havia condicionado o ingresso na Arena à concessão de benefícios estaduais ao Município de Cascavel nas áreas, principalmente, de educação e saúde.

Empresário nas áreas de comunicação, supermercados, agropecuária (no Paraná e no Mato Grosso), Pedro Muffato é fundador da Associação Atlética Comercial e do Cascavel Futebol Clube, além de ter presidido o Automóvel Clube de Cascavel e sido diretor do Tuiuti Esporte Clube.

Sempre sondado para se candidatar ao Senado e outras tarefas políticas, Muffato algumas vezes recusou e outras não conseguiu voltar ao cenário principal das atividades políticas, mas manteve permanente atividade no setor esportivo. Em 1996 sofreu um grave acidente durante uma prova do Campeonato Sul-Americano de Fórmula 3, em Cascavel, tendo sofrido cinco paradas cardíacas, permanecendo 16 dias em coma. Na política ele não teria sofrido tanto, mas talvez sofresse algumas derrotas – já que, nas urnas, ele jamais perdeu uma prova.

“Primeiro procurei dar condições para que o agricultor, em épocas de safra, pudesse escoar seu produto, pois naquele tempo muita gente perdia a produção simplesmente porque não conseguia sair da propriedade com as chuvas, que acabavam interditando as estradas”, disse Pedro Muffato, historiando sua gestão.

“Em segundo lugar procurei fazer escolas em todas as comunidades, evitando com isso que as famílias viessem para a cidade sem qualificação de trabalho e acabassem embaixo de um barraco ou como um sem teto”.

Durante seu mandato como prefeito, porém, o êxodo rural disparou e em consequência disso várias escolas do interior foram fechadas e os conflitos sociais – inclusive insegurança e criminalidade – aumentaram significativamente. Seu maior legado positivo foi ter montado uma ótima equipe de planejadores, que encontraram a solução para o grave problema hídrico. A solução foi projetar o amplo reservatório constituído pelo conjunto do lago artificial e respectivo Parque Ecológico.

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