Independência, morte e vida

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Não existe independência individual. Ou um povo é independente coletivamente ou a independência de um significa o aprisionamento do outro.

É mais do que conhecido, mesmo sem grande parte da população saber, que o processo de independência do Brasil foi forjado e fundido com um processo de subserviência às potências mundiais de 7 de setembro de 1822. O Brasil deixa de ser colônia de Portugal para ser quintal da Inglaterra e das disputas mercantilistas daquela época. Ocorre que os que gritaram independência não mentiram, foram sinceros, pois se referiam a sua “independência”  com relação aos de baixo. Continuaram sendo senhores de escravos, nobres da corte, elite erudita, ilustrada, os novos donos da terra que pilharam dos verdadeiros donos da terra. Mas uma elite que louva, idolatra e obedece a Europa que os despreza.

O tempo passa no século XIX… e a Guerra do Paraguai nos ensina que Solano Lopes ousou ser independente junto com seu povo e a  América Latina independente significou sua morte e de mais de 300 mil pessoas, sendo que só na Batalha de Acosta Ñu, ocorrida  em 16 de agosto de 1869, culminou na morte de um exército formado por aproximadamente 4 mil crianças guarani. A vitória da Tríplice Aliança foi premiada com uma dívida financeira ainda maior com a Inglaterra.

O tempo passa no século XIX… e a ilustração europeia e o positivismo francês apontam o caminho do futuro. É a República, capaz de modernizar esse país tão atrasado, que nem tinha escarradeiras em todas as casas. Então proclama-se a república em 15 de novembro de 1889, afinal já era hora, pois “nem escravidão existia mais” aqui.

O tempo passa no século XX com nossa república que nunca foi substantiva, mas sempre adjetivada… nunca independente, mas sempre pertencente a alguém que são alguns: dos coronéis, do café com leite, do Estado Novo, dos militares… ah!!! A Nova República, que é das bananeiras.

O tempo passa… séculos passados até a vida de hoje. Os excluídos da independência sempre esperaram ou lutaram, mas sempre com boa fé, para fazerem parte dessa nação, para serem donos também dessa república. Os que lutaram para tal, por muitas vezes, conquistaram avanços e melhorias para todos. Para todos, diferente das elites, que sempre quer as melhorias para si. Contra a carestia, voto universal, CLT, reforma agrária, Diretas Já, educação para todos, saúde para todos… Eis o que querem os que sempre foram excluídos, a boa fé de não excluir, a força da independência para todos. Os “de baixo”, os excluídos da república, sempre foram traídos pelos “de cima”, desde a Independência dependente, dos escravos livres para se tornarem ex-escravos, da república privada, dos direitos roubados, do voto desrespeitado. Então, no Brasil do século XXI começa (mas só um comecinho mesmo), de maneira muito tímida,  a ter comida para quem tem fome, água para quem tem sede, teto para quem nunca teve, universidade para filhos de analfabetos, pobreza para quem era miserável! Só isso! Bastou! As elites brasileiras que odeiam os brasileiros ficaram com medo de serem verdadeiramente independentes. Preferiram entregar toda a possibilidade de liberdade compartilhada em troca da submissão às forças externas. Empunhar a bandeira do Brasil, cantar o hino nacional e ser conivente com a entrega das reservas de petróleo que seriam destinadas à saúde e à educação de todos e todas é o maior exemplo disso.

GOLPISTAS!

GOLPISTAS!

GOLPISTAS!

No território nacional continuam sendo elites às custas de serem capachos de seus amos imperialistas, capital financeiro, especuladores de rapina, empreendedores de guerras, onde a morte é o produto final.

Independência ou morte!

Elites apenas sobrevivem, como qualquer inseto.

Só os historicamente excluídos podem e querem viver de verdade. Por isso gritamos:

Independência é vida!

Artigo de opinião de Fabiano Lombardi, professor da rede estadual – fabiano.lombardi@gmail.com

 

 

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