‘A verdade não é desacato’: Tico Bonito é absolvido

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A Justiça decidiu: o Palhaço Tico Bonito não desacatou os policiais Milton Junior dos Santos Almeida, Marcelo Rocha, Cristiano Venturim e Michel Augusto da Silva, no dia 14 de agosto de 2015, em Cascavel.

Hoje (19), a juíza do 3º Juizado Especial Criminal de Cascavel, Jaqueline Allievi, absolveu o artista das acusações.

Naquele dia, Tico Bonito foi retirado à força por policias do Choque no meio da apresentação do seu espetáculo, Licença Pr’eu Passar, durante o Festival de Teatro.

Tico postou um vídeo intitulado ‘A Verdade não é Desacato’ comemorando a absolvição e agradecendo as pessoas que o apoiaram.

“Estou mui feliz, animado, contente, porque hoje eu, palhaço Tico Bonito fui absolvido das acusações de desacato e resistência. Quero agradecer aos amigos que me defenderam.. todo mundo que estava lá e lutou por mim.

Ele frizou as críticas feitas na época de que havia mais policiamento no Centro de Cascavel em detrimento dos bairros, onde há mais criminalidade.

“Infelizmente a polícia ainda dá mais atenção ao Centro e nãos aos bairros, mas vamos mudar isso juntos, exigindo políticas públicas de segurança. Politica não é só o momento de votar é também quando exigimos que eles façam o trabalho deles”.

 

Tico também foi detido e assinou um termo circunstanciado. O caso teve repercussão nacional e até internacional.

 

O advogado de Tico Bonito, Elcir Zen atacou a acusação de que Tico ofendeu os policiais e de que se tratou de uma crítica política social.

“O desacato é uma figura inconstitucional. E também era inconvencional perante o pacto de São José da Costa Rica de Direitos Humanos que foi ratificada pelo Brasil.  Na história humana o palhaço sempre foi portador da crítica e até os mais déspotas e mais tiranos governantes sempre deram liberdades aos bufões”, afirmou o advogado.

Hoje veio à vitória.

“Analisando detidamente o vídeo em questão – cujo áudio é bem menos nítido que as imagens, não é possível afirmar que o acusado tenha chamado os policiais de “palhaços”. Não há provas, portanto, de que o acusado chamou alguém ou os policiais de palhaço. Soma-se a isso o fato de que ele negou ter utilizado essa expressão”.

Allievi também afirmou que apenas uma das testemunhas afirmou seguramente que Tico havia chamado os policiais de palhaços, o que foi contradito pelas imagens feitas pelo jornalista, Mano Nunes.

“Das quatro testemunhas de acusação ouvidas em juízo, apenas uma Santos) afirma ter ouvido o noticiado falar “esses aí são os verdadeiros palhaços (…)”. Todas as outras três disseram que ouviram “alguém” chamando eles de palhaços, mas não afirmaram ter sido o acusado. As três testemunhas de defesa sequer mencionaram terem ouvido tal palavra naquele momento”.

A juíza deixou claro na sentença que a crítica feita por Tico não era aos policiais que estavam mas a todo o sistema, embalado pelo forte sentimento de revolta que havia na época por causa do 29 de abril e também da balburdia e todo o aparato policial na inauguração do Teatro Municipal.

“O acusado [Tico] explicou que, movido pelo notório confronto entre a polícia e os professores ocorrido no final de abril na capital do Estado, e pelo intenso cerco policial utilizado na inauguração do Teatro Municipal em razão da presença do Governador, acabou por fazer uma crítica social”.

 

 

Relembre o caso

Leonides Carlos Taborda Quadra, o palhaço Tico Bonito, foi preso pelo Pelotão de Choque simplesmente porque fez uma crítica aos policiais e ao governo Beto Richa (PSDB). Ele apresentava a peça Licença Pr’eu Passar no Calçadão, como parte da programação do Festival de Teatro.

Na peça, Tico promete soltar a Besta Fera e como parte do número chama pessoas da plateia para ajudar na missão. Quando a viatura do Choque passou, o público pediu que ele chamasse à polícia que acabara de passar e veio a crítica.

“Eles só protegem os burgueses que moram no Centro e o Beto Richa. São seguranças particulares pagos pelo povo”.

Tudo isso é mostrado no documentário O Dia que a Cultura Parou feito pelo jornalista Mano Nunes, da Bem Bolado TV. O único que registrou o que motivou a prisão truculenta.

A prisão mobilizou segmentos da Cultura do Brasil e do exterior.  O caso foi parar na Justiça e só teve um desfecho hoje (19).
Parabéns, Tico.

 

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