PM, protestos e até revistas a participantes marcam debate sobre ideologia de gênero

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O ar esteve pesado e bastante conversador no auditório da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) na manhã de hoje (28). Teve direito a PM (Polícia Militar), revista em bolsas dos participantes, apreensão de objetos e até impedimento de professores e alunos no auditório da universidade. O evento era promovido pela RCC (Renovação Carismática Cristã) e com o apoio da Unioeste.

O caso tomou as redes sociais e deve ser denunciado ao COU (Conselho Universitário).

Com o tema “Perspectivas de Gênero em Educação”, conservadores alinhados aos pensamentos da Igreja Católica, professores e acadêmicos que defendem a inclusão do tema no ambiente escolar estiveram em rota de colisão.

O clima já vinha tenso desde antes do evento ocorrer. No Facebook, a descrição era de que foram chamados apenas “palestrantes fundamentalistas e moralistas para falar sobre a ‘ideologia de gênero’ e defender a ‘causa da família’”.

Um movimento de “resistência” foi criado para tentar promover o contraponto dentro da universidade mas não houve abertura. Não fosse a intervenção da pró-Reitora de Graduação, Liliam Faria Porto Borges, e do pró-Reitor de Extensão, Remi Schorn, estudantes e professores da própria Unioeste – que pensam diferente da RCC – ficariam de fora.

“Queriam nos cobrar para entrar mas não somos obrigados porque não queremos certificado. Depois que liberaram a entrada, colocaram dois capangas para revistar todos que estavam com a gente”, relata Bruno Hatschedach, estudante da Unioeste e militante do coletivo Multiarte Gestus, que debate exploração e opressão com acadêmicos de Pedagogia e Letras.

Um vídeo mostra a revista às bolsas de apenas alguns participantes do evento.

 

Jonathan Chasko, também discente e integrante do coletivo Araucária, reclamou da falta de espaço para quem discordava dos palestrantes.

“Foi um evento totalmente conservador, fundamentalista e que não chamou  para o debate pessoas com um pensamento diferente”, criticou.

A docente Jacqueline Parmigiani, do curso de Ciências Sociais, também estava no grupo inicialmente cerceado de participar do evento. Ela também relatou a cobrança.

“É um evento de Extensão da Unioeste, promovido no site da universidade. Viemos para acompanhar o debate de um evento que não é privado. Eles podem impedir e quando chegamos queriam cobrar nossa inscrição”.

Ela presenciou a apreensão de um par de baquetas que estava na mochila de um acadêmico. Jacqueline promete que levará o fato ao COU (Conselho Universitário)

“Recolheram porque disseram que eram pedaços de paus e que eram armas, mas era apenas as baquetas que estava com o aluno porque ontem ele tocou em um sarau. Vou encaminhar tudo o que aconteceu ao COU por todo esse constrangimento que nos causaram”.

Outro professor bastante conhecido na universidade, Alexandre Ferrari, fez um desabafo em seu perfil social. Ele classificou o evento como um ato político e se disse vítima de truculência e pede providências ao diretor do campus, Alexandre Webber e ao reitor, Paulo Sérgio Wolff.

“Honestamente falando, fora a truculência de um capanga, que se encontrava na entrada do evento (a entrada foi organizada de forma que um balcão ocupasse quase todo o espaço para que apenas uma pessoa pudesse atravessar de cada vez), que queria me obrigar a fazer a inscrição para que só assim eu pudesse entrar no auditório e diante da minha resistência em fazê-la, o capanga tentou me intimidar pela força (tudo isso será devidamente denunciado, na segunda-feira, às autoridades do Colegiado – professora Valdeci Oliveira, Centro – professora Elenita Conejero, Campus – professor Alexandre Webber e Reitoria professor Paulo Sergio Wolff), todo o resto (ainda que eu discorde de 100% do que foi apresentado) não me afetou: continuo acreditando que a gente fala de um lugar político e que esse lugar nos define como pessoa, professor, pesquisador.
Esse encontro foi feito pra qem acredita que a ideologia se inscreve apenas no discurso do Outro, para quem está a serviço da defesa da família tradicional e que pensa que discutir gênero é querer impor um comportamento”.

Um dos momentos de maior tensão foi quando um grupo de alunos fizeram um protesto com cartazes com discursos completamente opostos aos ideais de “família” e defendendo o debate de gênero.

 

Uma minoria provocou o conflito, diz organizador

O professor da Unioeste e organizador do evento, Fausto Zamboni, criticou o comportamento dos professores e alunos.

“Uma minoria tentou desviar o foco para criação do conflito. Eu não esperava que a situação teria essa proporção”.

Fausto reconheceu que o “Perspectivas de Gênero em Educação” teve uma abordagem crítica em relação a teoria de gênero mas que não foi ordem da organização barrar ninguém.

“Foi uma abordagem crítica em relação a teoria de gênero. O problema desde o surgimento da defesa do termo é como se defende, que essas questões sejam abordadas somente pela perspectiva de algumas pessoas. Não houve nenhuma ordem da organização e assim que soubemos, mandamos liberar”.

O professor também admitiu que acionou a PM. Uma viatura e dois policiais ficaram durante todo o evento na frente da Unioeste.

“Foi chamada a polícia porque criou-se uma sensação de pânico e uma conspiração contra mim. Chegaram a dizer que fascistas não passariam”. Houve uma sensação de insegurança, anunciaram que queriam invadir. Foi criado um clima tenso com o intuito de promover a confusão”.

Quanto a falta de um palestrante para fazer o contraponto, ele disse que não era a ideia do evento e os manifestantes devem criar o próprio evento.

O professor Fausto Zamboni também pretende pedir providências sobre o que aconteceu.

 

 

3 comments

  1. Estão dando muito espaço para algo que deveria ser apenas uma opção pessoal. Não da pra deixar que uma opção sexual tenha tamanha repercussão! É um total absurdo… Esta provado que ninguem nasce gay, que não existe o terceiro sexo, que homem nunca deixa de ser homem e mulher nunca deixa de ser mulher, mesmo que sejam operados, pois a pessoa não modifica seu seu DNA, apenas por amputar os seios ou o pênis e nenhum gay é totalmente felia, não pelo repúdio de alguns, mas por que ele jamais conseguirá ser o que deseja, mesmo modificando o exterior de seus corpos, sua essência sempre será MASCULINA ou FEMININA! Parem de tentar obrigar TODOS a baterem palmas para uma forma tão diferente de vida, de querer influenciar filhos de familias héteros de que todas as formas de sexo significam AMOR, sexo é apenas um complemento da vida à dois, mas nada tem aà ver com AMOR, pois sexo é físico, amor é sentimento. Se sexo fosse AMOR, prostituta amaria todos os homens do mundo, pois transa com muitos e por dinheiro…
    Esta IMPOSIÇÃO FORÇADA que estão tentando impor só aumenta a resistência por parte dos héteros pois sentam-se agredidos com a forma que tentam impor suas preferências tão diferentes da forma natural de vida da maioria.
    Vivam suas fantasias, seus desejos, mas deixem as crianças de fora, deixem que a vida na data certa lhes mostre tais diferenças, sem agressão, sem traumas!
    Não podemos concordar que seja ensinado aos nossos filhos, de famílias hétero sexual que menino possa beijar menino e fazer sexo anal como benéfico a saúde e a formação de uma criança. Por que não falam do que acontece fisicamente com o menino que se dedica a tais práticas??? Não!!! Precisam camuflar estes atos com a palavra AMOR!
    Como vamos livrar nossos filhos pequenos dos pedófilos se a maioria dos pedófilos buscam meninos para suas práticas sexuais, se ensinarmos que nada tem de mais um homem acariciar ou beijar outro homem??? Estaremos incentivando a pedofilia, pois também é uma “DIVERSIDADE” de prazer sexual, vamos apoia-los também?
    Sou à favor de que todo ser humano tenha direitos LEGAIS, que possam deixar seus bens pra quem desejarem, pensão pra seus companheiros – seja de que sexo for – MAS SOU TERMINANTEMENTE CONTRA que ensinem uma sexualidade diferente da convencional aos filhos de héteros.

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  2. É a RCC de asinhas angelicais querendo aparecer.
    Depois que dom Odilo Scherer tomou partido do Alckmin contra a luta dos estudantes em São Paulo, o que esperar da Santa Madre Igreja? O retorno da idade média é o seu sonho de consumo.

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  3. Não procedem as reclamações por parte dos acadêmicos que queriam entrar sem fazer inscrição e sem pagar. Se todos que estavam participando, fizeram inscrição mediante pagamento, porque seria diferente com alguns? Alias, é desta forma que os eventos são organizados na Unioeste. A menos que a intenção deliberada fosse tumultuar, então os seguranças perceberam e agiram em conformidade, para manter a paz do recinto. O trabalho dos seguranças consiste exatamente nisso.

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