Agente de bordo: a corda arrebentou do lado mais fraco

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A Câmara de Vereadores de Cascavel teve hoje (21) a sua mais importante votação desde o início da legislatura: a criação do agente de bordo no transporte público municipal, em pelo menos ,30% dos ônibus.

Foi a primeira vez que deu para perceber de que lado cada vereador está.

Proposta polêmica e que foi vetada pelo ex-prefeito Edgar Bueno (PDT) sob alegação de que subiria o valor da tarifa. Argumento que tinha travestido os interesses da empresas que exploram o transporte público. Aqui mesmo no blog, já noticiei que as permissionárias ameaçaram subir a tarifa para R$ 4,07. se houvesse o agente de bordo.

Do lado mais fraco da corda, os trabalhadores do transporte público. Capitaneados pelo Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Público, que aponta a exploração dos motoristas que acabam tendo de cobrar passagem e também ajudar no embarque e desembarque de cadeirantes, por exemplo. Fora que, mesmo sem os agentes de bordo, é questão de tempo para a tarifa subir como se nada tivesse acontecido.

Foi desse lado que a corda arrebentou. A maioria dos vereadores optou por manter o veto. Foram 14 votos contrários ao veto e 6 favoráveis.

O atual prefeito, Leonaldo Paranhos (PSC), ao menos diante da opinião pública lavou às mãos mas toda a sua base de apoio votou para que não houvesse o agente de bordo, com exceção de Misael Junior [uma surpresa]. Houve também votos dos parlamentares que se chamam “independentes”. Vale para bom entendedor.

Os votos favoráveis ao veto (contrários ao agente de bordo): Alécio Espínola, Aldonir Cabral, Carlinhos de Oliveira, Damasceno Jr., Jaime Vasatta, Josué de Souza, Mauro Seibert, Mazutti, Parra, Pedro Sampaio, Policial Madril, Romulo Quintino, Sérginho Ribeiro e Valdecir Alcantara.

Contra o veto foram: Celso Dal Molin, Dr. Bocasanta, Fernando Hallberg, Misael Júnior, Olavo Santos e Paulo Porto.

O debate

 

Assista no vídeo a íntegra da discussão

O posicionamento de alguns vereadores merecem destaque. Paulo Porto (PCdoB) foi quem puxou o debate.

“Vivemos disputa de proporções bíblicas em Cascavel, como Davi e Golias. De um lado os usuários, os cadeirantes, os trabalhadores e suas famílias, de outro lado, rugindo, os donos da cidade. Os donos das empresas e a grande mídia. de que lado vocês ficarão? Do lado de Golias? Espero que não, porque o Executivo já se encontra com ele”.

Fernando Hallberg (PPL) questionou se, além do impacto dos trabalhadores na tarifa de ônibus, já calcularam o impacto da Vale Sim na passagem.

“Sempre perguntam sobre o impacto dos agentes de bordo da empresa, mas e o impacto da Vale Sim na tarifa? Isso não saem responder. Só sabem dizer que vai aumentar a passagem se tiver agente de bordo mas não apresentaram nenhum planilha”.

Celso Dalmolin, autor do projeto, disse que não são apenas 100 empregos que estão em jogo.

” É uma mentira que as empresas dizem que tem que aumentar o vale transporte [se tiver agente de bordo]. As empresas estão sugando a população, ônibus ruim, explorando motoristas. Não são só 100 empregos. É a dignidade das pessoas”, disse Dalmolin.

Na ala dos contrários aos agentes de bordo, o líder do governo, Alécio Espínola (PSC). Ele tentou desconstruir o projeto falando sobre a porcentagem de agentes previstos na proposta.

“Se nosso interesse é público, temos que abranger a maioria. Deveria ter muito mais do que 30% agentes de bordo. Aqui se exclui um grupo de pessoas. Não podemos criar emprego para uma classe”, disse Alécio.

Josué de Souza (PTN), justificou seu voto contra a função dos agentes de bordo porque, para ele, essas pessoas não teriam função dentro do ônibus.

“Vai só fazer peso andando para baixo e para cima. Temos que ser responsáveis. Eu vou votar pela manutenção do veto. Não vou me acovardar por grito e por vaia”, disse o vereador, sobre a presença dos trabalhadores do transporte.

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